O
"Se Essa Rua Fosse Minha"- SER surgiu na década de 90, buscando mobilizar
a sociedade e
o
poder público para a questão dos
meninos e meninas
que vivem em situação de rua e, ao mesmo tempo, iniciar uma ação
educativa de integração e garantia de direitos.
O SER
foi pioneiro
na
implementação das técnicas circenses, lançando as bases do conceito de Circo
Social. O trabalho desenvolvido nas ruas, para além do fortalecimento
de habilidades sociais
como autonomia e protagonismo, dá concretude ao
sonho destes meninos e meninas, voltado para a construção de projetos
de saída das ruas.
A implementação das
técnicas
circenses foi feita a partir da observação das atitudes
que os meninos e meninas desenvolviam nesse "estar
nas ruas", como por exemplo, a linguagem corporal, em sua dimensão
física e simbólica enquanto instrumento de
resistência, trocas e brincadeiras, desenvolvidas e passadas
de uns para os outros, num processo informal de ensino/aprendizagem centrado
no lúdico.
A concepção
metodológica
desenvolvida, inicialmente junto à Intrépida Trupe, serviu de modelo para
o programa social Cirque du Monde, realizado através de uma parceria entre
o Cirque du Soleil, a ONG Jeunesse du Monde e o "Se Essa Rua Fosse Minha",
multiplicando-se assim o conceito de circo social em outras instituições no
Rio de Janeiro, de Belo Horizonte, Recife, Cidade do México e Santiago do
Chile.
O
Circo
Social ganha uma dimensão especial dentro da história do projeto,
a partir do protagonismo de alguns jovens advindos das ruas que começam a
multiplicar a metodologia, respondendo assim, de maneira original às demandas
dos "meninos e meninas
de rua" e dos
"meninos e meninas sem ruas", em comunidades de onde muitos
tinham sido expulsos, devido à violência resultante da ausência de políticas
de proteção e garantia de direitos. Atualmente, o "Se Essa Rua Fosse Minha"
tem sido procurado por diferentes parceiros para multiplicar a experiência,
aprimorando na prática seus conceitos metodológicos, fortalecendo o potencial
criativo, a solidariedade e o protagonismo dos jovens "Circuladores".
A
metodologia
de circo social na abordagem
de rua tem se consolidado com o aprendizado das atitudes corporais
e do movimento de migração dos meninos e meninas, dialogando com as rodas
de capoeira, com artistas de rua e do Teatro do Oprimido, instalando fóruns
educativos em praças públicas, com o objetivo de (re) pensar o estar
nas ruas.
Já
nos
espaços de convivência
comunitária, a prática vem se fundamentando no aprendizado dos
brinquedos infantis
e do universo cultural
das famílias. Neste caso, a metodologia dialoga com folguedos,
cordéis e brincantes
nordestinos; com a influência negra, através de músicas, danças, "causos"
e contação de histórias, estabelecendo paralelo com a tradição dos griôts
africanos.
Identidade,
pertencimento, expressão e transformação são, assim, eixos que têm como tônica
a ludicidade,
a ética e
a estética dentro
de uma concepção de arte, cultura e cidadania que fundamenta o Circo
Social do Se Essa Rua Fosse Minha, hoje em importantes regiões
do município e do Estado do Rio de Janeiro.
O Centro
de
Desenvolvimento Criativo em Laranjeiras é, por excelência, o espaço
de encontro, formação e irradiação onde os jovens fortalecem suas relações,
aprimoram seus saberes e, a partir da reflexão da sua prática, elaboram propostas
de políticas para a infância e juventude no Rio de Janeiro. Também nesse processo,
eles desenvolvem competências específicas que lhes permitiram tornar seus
projetos autônomos e sustentáveis.
Nossa
Missão
Desenvolver
e
apoiar campanhas e ações sócio-educativas voltadas para
crianças e adolescentes em situação de risco social,
tendo como fundamentos:
A garantia de direitos humanos básicos como ser ouvido, respeitado e valorizado
em suas singularidades;
A promoção dos potenciais humanos, sociais e culturais do público
atendido;
A garantia de direitos sociais básicos que permitam uma proteção
integral;
A mobilizacao da sociedade e do poder público para a questão.